Edição no Marrocos com 16 seleções revela talentos como Malawi e Valentine Nguele, questionando a hegemonia nigeriana e pavimentando o futuro.
A Copa Africana Feminina de Nações (WAFCON) 2026, realizada em Marrocos, encerrou com o triunfo de Camarões, que se tornou a quarta nação a erguer o troféu, juntando-se a Nigéria, Guiné Equatorial e África do Sul. A vitória por 3 a 0 sobre o surpreendente Malawi na final de domingo, 17 de agosto de 2026, consolidou uma edição marcada por avanços significativos e reviravoltas inesperadas.
O torneio, que foi adiado de março, transcorreu por três semanas em Rabat e Casablanca, revelando um novo cenário para o futebol feminino no continente. A decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de expandir a WAFCON para 16 equipes mostrou-se totalmente justificada, impulsionando a competitividade e o surgimento de novas forças.
Essa expansão permitiu que equipes como Camarões, que havia sido eliminada nas eliminatórias, participassem por sua posição no ranking mundial e chegassem ao título, enquanto outras, como Malawi, viveram um verdadeiro conto de fadas. O sucesso da edição sugere que o formato de 16 equipes é crucial para o desenvolvimento do esporte, conforme informação divulgada por FOOTBALL.
WAFCON 2026: Maior Competitividade e Ascensão de Novas Estrelas
Diferente da edição de 2024, a WAFCON 2026 presenciou uma maior competitividade e resultados chocantes. A Tanzânia, por exemplo, superou a África do Sul na fase de grupos, enquanto o Malawi, estreante no torneio, protagonizou a história da 'Cinderela'. As 'Scorchers' surpreenderam a Nigéria, 10 vezes campeã, com uma vitória por 3 a 2 na estreia, antes de eliminar Gana e Argélia para alcançar a final.
O sucesso do Malawi foi impulsionado pela proeza ofensiva das irmãs Chawinga, e a seleção certamente subirá no ranking da FIFA, onde ocupa a 153ª posição global e a 32ª na África. Quatro semifinalistas, incluindo Malawi e Argélia em suas estreias, garantiram vaga na Copa do Mundo Feminina FIFA 2027, ao lado de Camarões e Marrocos. A média de gols aumentou para 2,81 por jogo, em comparação com 2,54 em 2024, totalizando 90 gols em 32 partidas.
Valentine Nguele Lidera Camarões ao Título Histórico
A conquista de Camarões é ainda mais notável pela liderança de Valentine Nguele, que se tornou a quinta mulher a treinar uma equipe campeã da WAFCON. Sua vitória segue os passos de Clementine Toure (Guiné Equatorial, 2008), Eucharia Uche (Nigéria, 2010), Florence Omagbemi (Nigéria, 2016) e Desiree Ellis (África do Sul, 2022). O feito é impressionante, dado que Nguele assumiu o comando apenas em junho.
Dimitri Lipoff, coordenador técnico de Camarões, expressou à BBC World Service: "Trabalhamos como loucos nos últimos dois meses, dia e noite, e este é o resultado. Não tínhamos equipe, nada estava pronto. Tentamos construir uma espécie de bolha. Este é um esforço de equipe incrível." A seleção de Camarões, campeã da WAFCON, também se beneficiará de uma premiação de US$ 2 milhões.
Crise no Futebol Feminino da Nigéria e o Fim da Hegemonia
A edição de 2026 levantou sérias questões sobre a supremacia das 'Super Falcons' da Nigéria. A equipe, que buscava seu 11º título na WAFCON, teve sua pior campanha histórica, sendo eliminada por Camarões nas quartas de final. A situação se agravou com a derrota por 2 a 1 para a África do Sul nos play-offs da Copa do Mundo, resultando na ausência inédita da Nigéria no torneio global.
A dependência de talentos desenvolvidos no exterior há anos mascarou a falta de estrutura institucional no país. Com o Marrocos investindo pesadamente, Camarões com a premiação e outros países como Argélia, Gana e Malawi avançando, o lugar da Nigéria no topo do futebol feminino africano está ameaçado. A ex-atacante Desire Oparanozie, quatro vezes vencedora da WAFCON, pediu "um novo começo, um começo que avalie tudo

